Janaína é um nome fictício. Ela hoje se diz uma mulher recuperada, plena, completa, mas com um único e pequeno probleminha. Ainda não contou para sua namorada que se entregou de corpo e alma a um homem, o que seria considerado muito mais do que traição pela parceira. Seria um crime muito acima do hediondo. Daí o nome fictício. Mas Janaína não voltou ao sexo com plug natural por um homem qualquer. Muitos já tentaram, até porque trata-se de uma mulher arrebatadora, para dizer o mínimo. Janaína se entregou para ninguém menos do que JJ. Claro, não surpreende. Mas intriga. O maior troféu que a maioria dos homens gostaria de ter, junto com sexo anal e grupal, seria trazer uma lésbica de volta aos bons tratos masculinos. Pois bem, meu caro machão. O fato é justamente esse: JJ não trata o ocorrido como troféu, como você vai perceber ao ler a entrevista com Janaína. Leia e aprenda, ou continue um boçal ignorante e insensível.
Eu:
Quando você percebeu que tinha preferência por mulheres?
Janaína:
Já faz uns 10 anos. Acho que os meus motivos são muito parecidos com o de muitas mulheres que trilharam esse caminho. Os homens com os quais eu me relacionei antes mostravam uma gentileza falsa e uma preocupação excessiva com eles mesmos. Nunca souberam me excitar de verdade. Nunca se importaram. Eu achava que era assim mesmo. Viveria uma vida miserável sexualmente falando. Uma vez, numa festa, eu bebi um pouco além da conta. Estava mais, digamos, liberada. Percebi a amiga de um colega me encarando fixamente. No início me senti intimidada. Mas a medida que a tequila subiu à cabeça eu fui me soltando. Ela percebeu. Saímos dali direto para o apartamento dela. Ela sabia, exactamente, como me fazer feliz. O jeito, o toque tudo. Aquela noite foi a noite da virada.
Eu:
A sua namorada é a mesma daquela noite?
Janaína:
Não. Aquela era muito envergonha (risos). E como eu fui, digamos, introduzida por ela, os meus primeiros anos foram de pura senvergonhice.
Eu:
Em nenhum momento sentiu vontade de ir pra cama com um homem?
Janaína:
Quanto mais eu saía com minhas amigas, mais longe dos homens eu me sentia. E quer saber? Mais mulher eu me sentia.
Eu:
Você é muito sensual, se me permite…
Janaína:
Ta me cantando? (risos)
Eu:
Eu não me atreveria, considerando que você já esteve com JJ.
Janaína (suspirando absorta enquanto morde os lábios):
Ai…o JJ…
Eu:
Ja vamos chegar lá. Bom, você viveu uma vida louca por um tempo. Como foi se apaixonar a ponto de namorar.
Janaína:
Foi normal, como acontece com qualquer um. Um dia você conhece alguém que, além de combinar sexualmente, também combina espiritualmente. Foi também numa festa que eu conheci a Gláucia (nome fictício). Percebemos que quando estávamos juntas era mágico e as vezes passávamos mais tempo conversando do que transando. E quanto estávamos longe, sempre dávamos um jeito de nos falar pelo celular, messager, essas coisas. Assumimos a paixão e fomos viver juntas.
Eu:
Ainda vivem, certo?
Janaína:
Pois é. Vai ser uma coisa difícil contar pra ela.
Eu:
Então chegamos onde interessa: JJ. Defina o homem.
Janaína:
Na minha concepção de ver e sentir as coisas, ele não é um homem. Homem são todos os canalhas que tentaram me comer. Essa é a diferença, homens tentam te comer, mulheres trocam prazer e sentimentos e o JJ, bem JJ é uma alma evoluída. Talvez não seja deste planeta.
Eu:
Pelo que sei, mesmo neste seu período mulherengo, inúmeros homens tentaram se aproximar sem sucesso de você, certo? Como eu disse, você é realmente uma mulher linda. Mas o que JJ fez que os outros não fizeram?
Janaína:
Você está vendo como são os homens? Olha a sua pergunta: “O que JJ fez”. Os homens estão sempre pensando em tácticas, subterfúgios, planos e o diabo para terem uma mulher. JJ não fez nada. Essa é a diferença. Vou começar com o olhar. Aqueles olhos postos em você te fazem repensar tudo. Eu não sei te explicar, é uma admiração. Ele me olhava como quem olha para uma obra de arte no Louvre e não como um croque mounsieur num prato do bistre da esquina. Entendeu? Duvido.
Eu:
Entendi, mas não tenho esse dom. E quando isso aconteceu? Já sei, numa festa.
Janaína:
(muitos risos) Acertou. Ele estava lá com uma amiga da irmã da Glaucia. Cruzamos na cozinha. Ele estava pegando uma cerveja na geladeira e me ofereceu uma long neck. Não sei o que foi, mas já nesse momento, minhas pernas balançaram.
Nota do entrevistador: lembram-se que eu falei do “miasma hipnotizante” no ultimo texto sobre JJ? Olha a prova aí.
Janaína:
Eu peguei a long neck e passamos a conversar. Ficamos um tempão batendo papo. Nenhuma vez ele disse que eu tinha um sorriso lindo, que meus cabelos eram maravilhosos ou que eu era gostosa. Mas a impressão é que ele tinha dito tudo aquilo com os olhos, nas entrelinhas. Quer que eu te diga uma coisa? Falei que a minha bebida preferida era Dry Martini. Ele me contou como ele prepara o dele. Do jeito que ele falou, me olhando com aquela ternura, eu sentia claramente que era de mim e não do Dry Martini que ele falava. Era como se ele me derramasse como Gin, me perfumase com Vermouth de Marselha e me girasse no gelo. No final daquela conversa eu estava entregue como se tivesse bebido uns três ou quatro Drys. E sabe o que ele fez depois? Comigo nesse estado de letargia sexual?
Eu:
Fala logo…
Janaína:
Nada. Porque ele não tinha me cantado, efetivamente, entende? Ele falou de Dry Martini, de um monte de outras coisas, mas me cantar como qualquer homem faria, não cantou. Ele me encantou.
Eu:
Mas e daí?
Janaína:
Ele foi embora com a amiga. Eu fiquei completamente arrebatada. Não dormi a noite. Deu o maior trabalho pra esconder da Glaucia o que estava se passando comigo. No outro dia o JJ simplesmente não saía da minha cabeça. O dia inteiro, cada segundo. Eu fui atrás dele. Simples assim. Eu tinha que ver o JJ. Eu perdi qualquer amarra, qualquer vergonha. Ele tinha me dito onde trabalhava. Saí mais cedo do trabalho e fui atrás dele.
Eu:
E?
Janaína:
Ele ainda estava trabalhando. Quando me viu, aqueles olhos…ai…mostrou satisfação, mas não surpresa. Parece que sabia que iasao iria acontecer. Acho que sabia. Pediu para eu esperar um pouco. Eu esperaria muito se ele quisesse. Ele logo apareceu. Nós saímos, jantamos, quer dizer, eu não consegui comer. Saímos dali, fomos para o seu apartamento. Eu vou resumir uma coisa e é só o que eu vou contar do que aconteceu dali pra frente: ele me fez descobrir algumas partes do corpo que nem eu sabia que tinha.
Eu:
Você não vai revelar nenhum detalhe? Nenhum?
Janaína:
Bom, vou dizer apenas um. Lembra do seu personagem, o Palhaço Lelé? Fizemos a cena da lavadora de roupa na centrifugação.
Nota do entrevistador: ela se refere ao conto “E o Palhaço o que é?”, que está neste blog, no momento em que Lelé está transando com Maria Amélia. Ele sentado na lavadora de roupa e ela sentada sobre nele, encaixada. A lavadora na centrifugação fazendo todos movimentos.
Janaína:
Não sei se você experimentou isso de verdade. Uma loucura…uma loucura.
E assim termina a minha entrevista com Janaína, a linda lésbica que voltou a ser mulher só por causa de JJ. Uma entrevista reveladora, esclarecedora e que põe todos nós, homens comuns, em nosso devido lugar. O positivo, pra mim, é que o JJ lê meus contos. Ele e minha mãe, pelo que sei.