Quando nossa consciência deixa a vigília para cair no sono, a porta fica aberta e livre para a entrada de todo o tipo de questão mergulhada naquela parte imersa do iceberg que é a nossa mente. E é assim que acontecem os sonhos, é o que diz a ciência. Mas eu tenho uma definição melhor do que essa para os sonhos. Eu tenho quase certeza que, quando estamos sonhando, nós, na verdade, vamos para outros mundos como assombrações. É isso que vocês estão lendo mesmo. Pra mim, quando sonhamos, vagamos como fantasmas por outros mundos deste imensurável Universo. As vezes somos vistos pelos habitantes destes mundos (e sobre isso tenho cá minhas teorias também), as vezes, passamos sem ser percebidos.
Uma fato ainda mais curioso é que, enquanto assombrações nestes mundos alhures, encontramos outros fantasmas, de várias espécies e formas tão fantasmagóricas quanto a nossa. Eles vêm de diferentes regiões do cosmo e, como nós, estão dormindo, ou seja lá qual definição eles deem ao fato de apagarem por algumas horas porque o corpo assim o pede. Esses fantasmas nos encontram todas as noites em lugar neutro e com eles a nossa versão fantasmagórica mantém alegres trocas de ideias. Isso, por exemplo, explicaria as coisas esquisitas que, por vezes, deparamos em nossos passeios noturnos. Outra noite mesmo eu vagava por uma casa onde havia um fosso. De dentro dele brotavam inúmeras tartarugas com pele azul e cascos transparentes, qual lava de um vulcão.
Outro fato que reforça a minha convicção de sermos fantasmas quando sonhamos são os encontros constantes que temos com pessoas que já partiram deste mundo. Pais, amigos, tios, toda a sorte de pessoa de nossa relação que deixaram de viver entre nós aparecem em sonhos para manter conosco um alegre reencontro. Até os nossos animais de estimação que já partiram costumam aparecer para ganhar mais um afago e passear com a gente despercebidos das pessoas que andam pra lá e pra cá com as mentes enterradas nas suas tarefas cotidianas.
Outra noite me peguei volitando e atravessando paredes em um sonho, o que me parece em uma robusta evidência que corrobora a minha teoria. Querem mais provas? Quem já não se viu nu em meio a um lugar movimentado e, após passar aquela sensação de completo desconforto, acabamos percebendo que essas pessoas não estão notando a nossa presença? Exatamente como eu falei acima, as pessoas destes lugares, como as daqui, estão tão preocupadas com suas questões diárias que acabam por deixar a sua mediunidade perdida em algum canto.
Ok, você pode me perguntar, se somos nós os fantasmas, qual a razão de termos pesadelos? Não seríamos nós, os fantasmas, que deveríamos assustar os outros? Ora, há uma resposta muito lógica para tal pergunta. Os pesadelos se dão quando somos descobertos pelos habitantes daquele mundo no qual somos vistos como assombrações (lembrem do parêntesis no final do primeiro parágrafo). Porque não tem nada mais assustador para um fantasma do que ser visto e notado pelos vivos, pode acreditar. Sim, os fantasmas se assuntam com os vivos tanto ou até mais do que os vivos com os fantasmas. Ao sermos descobertos somos tomados por uma espécie de energia negativa, desconfortável da qual queremos nos livrar. Já repararam que os piores pesadelos são os que causam esta sensação angustiante que nos toma por inteiro? As vezes nem estamos sonhando com coisas ruins e mesmo assim acabamos possuídos por este sentimento. E tudo o que queremos é se escafeder de lá e voltar para o aconchego de nosso corpo sobre a cama.
Portanto, se você sentir e até mesmo ver algo sobrenatural vagando pela sua casa não se apavore. É apenas alguém de um lugar muito, mas muito distante “sonhando” e aparecendo aqui neste mundo dos acordados, nada além disso. Finja que não está vendo nada, senão você transforma o sonho de alguém em um desagradável pesadelo. Porque ele é um fantasma, mas um que não vai fazer mal a você e nem a ninguém. Ele só está vagando em seu inocente sonambulismo de alma por aí. Bons sonhos!