O Pinto Desobediente (histórias de onanismo explícito)

João Carlos terminou seu treino e foi diretamente para o vestiário. Triceps, biceps, peitorais, panturrilha, tudo, enfim, latejava, ansiando pelo merecido relaxamento. E como João Carlos tinha o tempo ao seu lado, já que naquele dia havia feito a seus exercícios num horário incomum, ou seja, após o seu expediente, resolveu encarar a sauna.

Livrou-se do calção, do par de tênis, das meias e camiseta molhados e com um aroma detestável, deixando no corpo apenas a sua cueca branca. Dirigiu-se à sauna que ficava atrás de uma porta de vidro translúcido no fundo do vestiário. Abriu-a e foi recebido por um hálito úmido de eucalipto.  Entrou e passou a não enxergar nada que ficasse a um dedo ou dois de distância do nariz. Tateou o caminho com cuidado, como um míope que acaba de perder seus óculos de lentes grossas, até achar uma arquibancada na qual pudesse se acomodar e passar a eliminar as toxinas depositadas em seu corpo pelos poros afora com certo conforto. Aos poucos, seus olhos foram se acostumando àquela iluminação difusa e então pôde vislumbrar mais alguns vultos mudos usufruindo do vapor relaxante. O calor o envolvia e ele começou a fazer um esforço um pouco maior para respirar. O suor confundia-se com o vapor que condensava em contato com a sua pele fazendo seu corpo encharcar . Era capaz de sentir as impurezas que a vida diária lhe impunha sendo expulsas de dentro dele. Dali a pouco iria deixar um jorro de água gelada cair sobre o corpo e sentir aquela gostosa tontura e o conseqüente torpor provocados pelo choque térmico.

Subitamente algo começou a incomodar João Carlos.  Algo que se situava bem no meio de suas pernas. O seu membro passou a crescer. Ele simplesmente ficou de pau duro. Assim, do nada. Uma reação involuntária sem aparente inspiração mental ou visual. João Carlos podia facilmente perceber que, se saísse de dentro da sauna com aquele volume sob a cueca, seria alvo olhares matreiros e assunto de conversas reservadas no vestiário. Seria conhecido como “o excitadinho da sauna”. Para sua sorte, a visão daquele membro intumescido, forçando passagem pelas paredes da cueca branca, se tornava impossível para as outras pessoas ali presentes, graças ao denso vapor.

O tempo passava e os vultos foram saindo da sauna, um a um, até deixarem João Carlos suando com o seu pênis insistentemente ereto.  O calor ia se tornando mais sufocante a cada minuto e o seu pênis simplesmente se mostrava resoluto em permanecer naquele estado,  como um super herói de olhar orgulhoso. Para o alto e avante. Não havia outro remédio senão permanecer sentado, recebendo os eflúvios úmidos com aroma de eucalipto, enquanto  ouvia as vozes do lado de fora falando das alunas da academia: a malha agarradinha da fulana, a bunda durinha da cicrana. Assunto que não ajudava em nada a situação do pobre João Carlos, já se sentindo em uma panela de pressão. E para piorar, ele também podia ouvir o som das duchas caindo, refrescantes, sobre os felizardos que tinham pênis mais complacentes.

A temperatura devia estar perto dos 55 graus, mas a sensação térmica já devia andar pelos  75 e o maldito pênis continuava firme, transformando a frente de sua cueca num acidente geográfico. Ele tinha que agüentar. Tinha de ficar ali, praticamente cozinhando até o pênis decidir por conta própria voltar a um tamanho aceitável. Tentou pensar em coisas que tivessem o poder de trazer o seu membro à razão. Coisas com efeito broxante. Teletubies. Turbulência de avião. Turbulência mais forte. Dor de ouvido. Hemorróidas. Nada.

A respiração ia se tornando cada vez mais ofegante. Sentia-se como uma cenoura cozinhando no bafo. “Cenoura cozida no bafo não perde as propriedades proteicas”, dizia sua mãe.  Na verdade, ele estava ouvindo a voz da mãe, como se ela estivesse ao seu lado. A temperatura alta já o fazia delirar. E o pênis ali, firme como Gibraltar. Não sabia mais como sair daquela situação vexatória. As vozes no vestiário continuavam. O número de pessoas parecia ter aumentado. Estava perdendo os sentidos. Iria desmaiar. A vida passando-lhe pela frente. Era o sinal de que ela estava mesmo indo embora. O pai levando-o pela mão ao estádio quando criança. A festa do quarto aniversário, quando ele bateu com a cabeça na parede e abriu um talho de quatro pontos, um para cada ano de vida. A primeira prova de matemática que ele conseguiu uma nota maior do que cinco. As espinhas da adolescência. As meninas da adolescência. As punhetas da adolescência. Sim, as punhetas da adolescência! E não é que a solução aparecia ali no meio daquele delírio? Usou suas últimas forças para bater, ali, umazinha. A punheta salvadora. E pouco depois saiu cambaleante. Mas com o pênis, a dignidade e a vida em seus devidos lugares.


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