Encontraram-se na mesma hora de sempre. Encararam-se mutuamente, como de costume.
– Você ta um tiozinho bem charmoso.
– Como é que é? Tiozinho?
– Não, falei um tiozinho bem charmoso.
– Isso é crueldade. Precisa ser assim cruel?
– Eu não sou cruel. É só a verdade.
– Mas tiozinho? Uma palavra imortalizada num comercial de refrigerante sabor laranja artificial? Podia aliviar?
– Eu diria que é melhor difinição, o que eu posso fazer, eu digo o que vejo.
– Eu não te perguntei.
– Você sabe muito bem que minha função não é responder perguntas. Minha função é falar. Parou aqui, eu falo. É incontrolável. É mais forte que eu. É a minha missão nesse mundo.
– Tiozinho é humilhante.
– Você queria o que?
– Sei la. Uma outra abordagem, quem sabe. Mais repeitosa.
– Ja que você está pedindo vou dar aqui a,gumas opções.
– Pensando bem, deixa assim.
– Não, agora provocou. Vou desfilar minha erudção em logismos.
– Deixa pra la.
– Você está conservado. Conservado é bom.
– Não torutura.
– Hummmm, você está com uma aparência jovial.
– Pegou pesado.Pegou muito pesado.
– Calma, tem mais, que tal…
– CHEGA! Ja entedi.
Virou as costas e se afastou daquele espelho maldito, mas aina deu tempo de ouvi-lo falando “fofo”.