O post de hoje foi escrito por um convidado especial, o meu grande amigo Morgado, o mau humorado. Espero que apreciem.
“Porque diabos a imensa maioria dos seres humanos mais parecem papagaios com cérebro debilitado que repetem tudo que alguém supostamente mais “descolado” lhes impoem sem antes se perguntarem o porquê? A imensa maioria da massa ignara e da não tão ignara assim está usando palavras irritantes e desvirtuando o bom andamento do português coloquial simplesmente porque elas estão “na moda”.
Comecemos pelo nosso esporte nacional. No futebol, de uns tempos pra cá, passamos a usar a palavra assistência para designar aquilo que sempre chamamos de passe que deixou o centroavante na cara do gol, ou simplesmente, passe. Alguém tentar nos impingir uma palavra importada do basquete americano ja é de fazer Aurélio Buarque se revirar no túmulo. Agora, a tal palavra pegar é motivo de condenação a prisão perpétua sem direito a visita. Assistência o caralho. É passe, sempre foi passe. Ja não chega perdermos nossos craques para os europeus, agora vamos perdendo nossas palavras para os americanos? Assistência pra definir passe eu mataria a tiros.
Continuemos no futebol. Não satisfeitos com o uso constante da assistência e o consequente sepultamento do passe, ja começo a ver um movimento novo em direção à macaquice linguística. Os jogos de ida e volta das copas, como a Copa do Brasil, estão virando “pernas”. A definição é inglesa: “first leg e seccond leg”. Mas alguns jornalistas brasileiros mais “moderninhos” ja estão adotando “primeira perna e segunda perna” ao invés do clássico jogo de ida e jogo de volta. Mas nesse caso ainda há salvação. Por favor, você que me lê neste pretigiado blog: resita. Perna é perna, membro inferior encontrado aos pares na maioria dos casos. No Brasil, temos excelentes exemplos de pernas que merecem culto, como as da Juliana Paes, da Ivete Sangalo e…bem a lista é longa. Pernas, pra definir jogo de ida e de volta, eu mataria de uma forma temática: as chutes.
No mundo corporativo então, as palavras que eu gostaria de matar encontram terreno fértil. Aliás, se puedesse mataria não só as palavras como os deboilóides que as repetem em qualquer situação. Tem palavra mais idiota e imbecil do que escopo? Pois é. Escopo, que parece nome de matemático grego, é a palavrinha carimbada nas salas de reuniões. Quer outra que é repetida sem parar? Desafio. Desafio e escopo eu não só mataria como torturaria antes. Elas são um jeito metido de dar uma noticia ruim. “Nós temos um desafio” poderia ser traduzido leteralmente para “eu vou fuder vocês, inclusive no final de semana”. “Sua idéia é interessante, mas não tem aderência ao escopo do projeto”, pode sertraduzida como “Se eu contar essa sua idéia, que é incrível, você provavelmente vai tomar o meu lugar” Desafio eu jogaria nos trilhos do metrô. Escopo eu mataria a facadas. Umas setenta e duas facadas
E sinergia? Sério, sinergia eu mataria com as minhas próprias mãos. E os funcionários, que agora, nesta sanha politiciamente correta, viraram “colaboradores”? Quem colabora comigo, faz porque quer. Logo, não preciso lhe pagar salário, nem férias nem hora extra. Eu não quero colaborar com ninguém, eu quero ganhar pra trabalhar, ora bolas. Colaboradores é uma palavra que eu jogaria da boca de um vulcão em atividade. Morreria envenenada pelo enxofre e quimada ao mesmo tempo. Merece morrer mais de uma vez essa coisa.
Eu vou parar por aqui, pedindo a você, vigilante do bom e coloquial português, para não esmorecer. Se não tiver nem arma de fogo, nem arma branca, mate a desgraçada com as próprias mãos ou de um jeito criativo. Sempre tem uma frigideira por perto para você bater sem parar num escopo da vida.”